O Flamengo manifestou sua discordância em relação à proposta de redução do limite de jogadores estrangeiros no Campeonato Brasileiro. Em uma entrevista concedida à ESPN, o vice-presidente jurídico do clube, Marcos Motta, argumentou que a medida, aprovada pelos clubes das Séries A e B, não contribui para o fortalecimento do futebol nacional.
A proposta em questão prevê uma diminuição gradual do número de atletas estrangeiros permitidos em cada partida, passando de nove, atualmente em vigor, para oito em 2027, e reduzindo um jogador por temporada até chegar a cinco em 2030.
Motta defendeu que existem outras maneiras de promover a inclusão de jogadores formados no Brasil, sem a necessidade de impor restrições ao número de estrangeiros. Ele destacou que essa discussão não é nova e já ocorre em outros mercados, especialmente na Europa.
O dirigente citou o modelo da Premier League como um exemplo a ser considerado. Na liga inglesa, os clubes têm a liberdade de inscrever até 25 jogadores seniores, com regras que garantem a presença de atletas formados no país, independentemente de sua nacionalidade.
Além disso, Motta enfatizou a importância de que a discussão sobre o limite de estrangeiros não se encerre após a reunião realizada na última segunda-feira (21). Ele acredita que o debate deve continuar, permitindo que clubes e profissionais do setor apresentem suas sugestões.
A CBF, que introduziu a proposta durante uma reunião com os clubes, ressaltou que a discussão está ligada à preocupação com o desenvolvimento de jogadores da base. Um estudo da entidade revelou uma queda de 40% nos minutos jogados por atletas com menos de 23 anos desde a implementação do limite de nove estrangeiros.
Embora a média de jogadores estrangeiros relacionados por partida seja de 5,4, com apenas 4,3 efetivamente em campo, Motta acredita que a abordagem consultiva da CBF permite que alternativas sejam discutidas antes de qualquer decisão final.
Além da redução do limite de estrangeiros, os clubes também aprovaram uma nova estrutura de inscrições para o Brasileirão, que permitirá a divisão de 50 jogadores em duas listas distintas a partir de 2027. A Lista A contará com 30 atletas sem restrição de idade, enquanto a Lista B terá 20 jogadores Sub-23.
O Flamengo, por sua vez, reafirmou a necessidade de um debate contínuo sobre o tema, buscando garantir que o futebol brasileiro se fortaleça e evolua. Motta concluiu destacando a importância de abrir espaço para que todos possam expressar suas opiniões, sempre com foco na melhoria do produto futebolístico no Brasil.
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