Na audiência pública realizada em Brasília nesta terça-feira (3), o Flamengo foi o primeiro clube a se manifestar sobre a proibição das casas de apostas no Brasil. Representado pelo vice-presidente geral, Flávio Willeman, o clube expressou preocupação com a possível perda de R$ 430 milhões anuais devido à medida provisória do governo federal, publicada no final de setembro.
Willeman destacou que a decisão abrupta pode afetar compromissos financeiros já assumidos pelo Flamengo, que se reestruturou financeiramente desde 2013 com base em contratos firmados com empresas do setor, como a Betano, patrocinadora máster do clube. Ele enfatizou que a mudança na legislação pode comprometer a estabilidade financeira do clube, que conta com mais de 1.200 funcionários.
O vice-presidente também abordou a questão da segurança jurídica, argumentando que os contratos foram firmados com base em uma legislação aprovada pelo Congresso Nacional e regulamentada pelo governo. Para Willeman, é essencial que haja respeito a esses acordos e que a proibição não ocorra de forma repentina.
Além disso, ele questionou a eficácia da proibição para combater o mercado ilegal de apostas, afirmando que a medida pode, na verdade, favorecer o crescimento de operadores clandestinos. Ao final de sua fala, o dirigente pediu ao governo que busque alternativas de fiscalização e regulação mais eficazes, ao invés de uma proibição total.
O ministro Luiz Fux, que presidiu a audiência, ressaltou a importância da segurança jurídica e a necessidade de avaliar os impactos da medida. Ele também reconheceu os problemas relacionados ao vício em apostas, mas enfatizou que a discussão deve se concentrar na forma como a atividade foi proibida.
Além do Flamengo, outros clubes e entidades também participaram da audiência, incluindo Fluminense, Botafogo, e a CBF, todos discutindo as implicações da proibição das apostas.
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